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Everest Basecamp e Three Passes Trek: Como fiz a trilha sem guia, Dicas e Roteiro

Atualizado: 15 de Jun de 2019


Namaste viajantes!

Nesse post vou transcrever pedaços do meu diário, compartilhando um pouquinho da viagem incrível que fiz pelo Nepal, como foi subir o Everest sem guia, qual foi o roteiro e muitas dicas!

Confira: Custos, O que levar e Dicas

Algumas informações iniciais: fiz a trilha com um amigo, sem guia e sem carregador. Para nos orientar usamos o aplicativo de celular “Maps.me”, que funciona offline.

É possível se conectar à internet durante a trilha.

As hospedarias vendem cartões de internet de 200Mb por 6 dólares americanos! Outra opção é comprar um chip da NCell por 5 dólares com pacote de dados de 2Gb, mas não há sinal em todo o trajeto!

Entretanto, preferimos permanecer desconectados.

O percurso que escolhemos é considerado o trekking mais difícil do Nepal e, de fato, exige bastante (física e psicologicamente)!

Chamado de Great Trail (ou three passes), esse trajeto escapa um pouco da rota tradicional para o Everest Basecamp, incluindo a subida à 3 montanhas com vistas incríveis e o cruzamento da maior geleira da cordilheira.


Com certeza uma aventura desafiadora, mas recompensante!


Khong Ma La Pass - Everest

Observação: No site-guia, recomenda-se fazer em 19 dias, dando tempo suficiente para aclimatizar e evitar os problemas com altitude.

No entanto, como só tínhamos 14 dias disponíveis para fazer, usamos algumas técnicas naturais para lidar com a altitude e conseguimos realizar o desafio em 12 dias, mas não recomendarei aqui.


Aclimatizar é fundamental e pode evitar sérias complicações, mais ainda em se tratando de uma trilha de tão difícil acesso para resgate (somente helicópteros).

Recomendo contratar um seguro-viagem que inclua atividades de trekking em altitude, pois acidentes e outras complicações podem acontecer.

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ROTEIRO EVEREST BASECAMP E THREE PASSES


  • DIA 01:

Iniciamos a viagem desde Catmandu no dia 12/11/2017.

Compramos um voo para Lukla com a TaraAir pensando em chegar a Namche Bazaar no mesmo dia.

O Nepal não é o lugar mais pontual do mundo e nosso voo acabou atrasando bastante.

Estejam preparados para atrasos do voo, já que as aeronaves são simples e o aeroporto de Lukla é bem pequeno, sendo difícil acomodar todos os voos de maneira pontual!

Ao chegar em Lukla procuramos a entrada do parque nacional, onde inicia a trilha, e pagamos a taxa de 20 dólares americanos.

O início da caminhada é bem tranquilo e até um pouco “urbanizado”. O clima é mais quente e eu vestia calças leves e regata.

Pouco antes de Jorsale, em Monjo, há um checkpoint onde é necessário pagar uma outra taxa de aproximadamente 34 dólares americanos.


É importante guardar os tickets em lugar de fácil acesso e junto com o passaporte, já que existem outros checkpoints pelo meio do caminho.

Por causa do atraso, nosso plano de chegar a Namche Bazaar no mesmo dia não deu certo e acabamos dormindo em Jorsale (12 km distante de Lukla), uma cidade bem próxima a Namche.

Nos hospedamos no albergue do Raam e Passaam.

O quarto era quentinho, a comida boa e o preço justo. Além disso eles são uns amores!

DICA: Nessa trilha a dica é perguntar pelo cardápio e verificar os preços. Negociamos a gratuidade da estadia pelas refeições e em boa parte dos locais deu certo, em outros ganhamos descontos. O preço da comida varia um pouco e isso faz diferença nos gastos ao final.

  • DIA 02:

Saímos de Jorsale em direção a Namche e chegamos bem cedo (são 6 km de caminhada).

Namche é uma cidade estonteante e uma das minhas preferidas. Lá é recomendável passar dois dias para aclimatização, o que não é nenhum sacrifício já que é a cidade mais confortável do percurso, com wi-fi e tomada disponível, além de comidinhas deliciosas!

Passamos o dia lá e aproveitamos para fazer uma caminhada de aclimatização até a Kundhe, cidade vizinha mais alta (400m a mais de altitude).

Nos hospedamos no Hotel Hymalaia e comemoramos o inicio da trilha com pizza!

Atenção pois Namche é a ultima oportunidade para trocar dinheiro e sacar nos caixas eletrônicos.

  • DIA 03:

Saímos em direção a Tengboche (10 km distante), minha cidade preferida!

Apesar de bem mais simples que Namche, essa vila tem um monastério lindíssimo e o por do sol com as montanhas rosadas é sensacional! Além disso tem cavalos e animais soltos pelas gramas. Super aconchegante!

No entanto foi um dos trajetos mais difíceis pra mim. O final da caminhada é uma subida de 510m de elevação por uma montanha. Exigiu muito fisicamente e como não estava muito bem aclimatizada me faltou ar em vários momentos.

Lá ficamos hospedados no Trekkers lodge, uma acomodação familiar com os quartos virados pro vale e com uma equipe super atenciosa.

Para aclimatizar caminhamos pela “floresta” perto da vila e passamos o fim da tarde no monastério vendo o por do sol nas montanhas! O céu à noite foi um espetáculo à parte!

DICA: para o café da manhã sempre optava por panquecas. Elas são super bem servidas e dão a sustância ideal para a caminhada!

  • DIA 04:

Saímos em direção a Dingboche (400m de altitude a mais).

A subida foi bem mais leve que a do dia anterior e a caminhada bem tranquila.

Depois de almoçar fomos passear pela cidade (última oportunidade para comprar luvas e casacos) e vimos o atardecer em uma stupa. Outro por do sol incrível!

Essa cidade já é um pouco mais fria que as outras! Ficamos hospedados na Dingboche Guesthouse, em frente à stupa da cidade.

DICA: as casas de chá são aquecidas na área comum (sala de refeições) por uma espécie de lareira. Cuidado para não encostar na estrutura. Sem querer queimei meu casacão de frio e a espuma voou pela sala inteira. Por sorte a família que administra a hospedagem era uma fofura e me ajudou com silver tape. Fiquei com o casaco todo remendado, mas podia ter sido pior!

  • DIA 05:

Até Dingboche a trilha coincide com o percurso até o Everest BaseCamp. Como estávamos fazendo os 3 passes, tivemos que desviar e seguir para Chukhum, uma cidade mais próxima do primeiro pass.

Nesse dia caminhamos apenas 5km, que fizemos em 2 horas e meia, e passamos o dia lendo e tomando chá. O caminho é bem bonito e fizemos de maneira bem tranquila parando pra apreciar a vista.

Ficamos hospedados no Khangui Resort Lodge e gostei bastante!

DICA: levar um baralho pode ser uma boa alternativa!

O André levou um Kindle e ficava lendo quando não estávamos jogando adedonha, caminhando ou conversando com outras pessoas. Eu peguei livros emprestados nos albergues e aproveitei para aprender nepalês com as pessoas das hospedagens!


  • DIA 06:

Saímos mais cedo que de costume, por volta das 6:30 da manhã, em direção ao nosso primeiro grande desafio: Khong Ma La pass.

Foram 7 horas de caminhada no total, contando com a parada para lanche em cima do pass.

Para dar uma força na caminhada (que tem muita subida e o cruzamento de uma geleira) levamos ovo cozido e chocolates.

Chegamos em Lobuche, nosso próximo local de pernoite por volta de 15 horas, almoçamos e ficamos descansando. Esse trecho exigiu bastante.

Ficamos hospedados no Sherpa Hotel. Lá o valor de hospedagem é fixo: 5 dólares. A comida também é mais cara. Não recomendo gastar muito tempo.

  • DIA 07:

Saímos em direção à Gorakshep, uma cidade a mais de 5.100 metros de altitude!

Levamos 2 horas para chegar. Tomamos um chá, deixamos a mochila no quarto e nos arrumamos para subir Khala Pattar, a montanha que tem uma vista incrível do Everest e mais de 5.500 metros de altitude!

Muita gente sobe ainda de noite para ver o nascer do sol ou já mais tarde para ver o por do sol, mas as temperaturas atingem -20ºC! Decidimos subir no meio do dia e ainda assim fez bastante frio lá em cima por causa do vento! Ficamos no Hymalaia Lodge e recomendo!

DICA: Para evitar o mal de altitude levei alho na mochila.

Todos os dias picava um dente na comida (retirando a raiz para não dar mau hálito). O alho é ótimo para afinar o sangue e previne os sintomas de mal de altura! Em geral passamos muito bem. As hospedagens oferecem sopas de alho, mas cada porção pode chegar a 3 dólares. Levar na mochila e colocar na comida é mais barato e eficiente!


  • DIA 08:

Dia de chegar ao Acampamento Base! Acordamos e seguimos em direção ao Basecamp.

Fizemos o trajeto em um pouco mais de 2 horas (ida e volta). Apesar de ser o local simbólico do Everest e ter sido a realização de um sonho, a vista desde Khala Pattar é muito mais bonita, então recomendo que ambos sejam feitos!

Voltamos, almoçamos e seguimos para Dzongla. Dia longo com total de mais de 13km de caminhada. Chegamos mortos e passamos o final de tarde descansando no Montain Home Hotel. A comida era muito boa e pedi um macarrão muito delicinho!

DICA: Nesse dia tentei tomar um banho e minha pressão caiu muito. Por causa disso fiquei um pouco mal e tremendo de frio boa parte da noite.

Não é recomendável tomar banho acima de 4.000m de altitude e, de fato, não tomem!

Nos outros dias eu usava a água disponível na pia, enchia minha garrafinha e tomava um “banho de gato” jogando água e sabão do pescoço pra baixo, primeiro acima do quadril. Me secava e vestia a camisa. Depois abaixo. Me secava e vestia a calça. Faz muito frio e os banheiros não tem nada de aquecimento, inclusive muitos tem janela que não podem ser fechadas. Outra opção é usar lencinhos umedecidos!

  • DIA 09:

Nosso dia mais longo até então. Saímos as 7:00 da manhã e fizemos o segundo pass: Cho La pass, em 3 horas.

Esse foi especial! Pra mim o mais divertido, já que tem uma parte com caminhada na neve. Recomendo atenção com as partes congeladas que são bem escorregadias!


Eu tava tão animada que parecia o burro do Shrek falando sem parar e correndo pelas beiradas cheias de neve - e devia estar muito chata mesmo porque o André ficou bem bravo comigo. Quase me matei algumas vezes e acabei fazendo um amigo nepalês que me ajudou a subir a parte final da montanha porque minhas botas estavam deslizando. O André, como tinha os bastões de caminhada, conseguiu se virar bem. O nepalês tinha uma bota especial para neve, com cripons.

Depois do pass descemos por mais 2 horas até conseguirmos um lugar para almoçar, mas para chegar a Gokyo, nosso local de pernoite, ainda faltava cruzar a geleira.

Cruzar a geleira foi bem assustador! As geleiras mudam de lugar com a ação do vento e dos desmoronamentos.

Isso quer dizer que não existe uma trilha marcada e para quem não conhece, como nós, é bem difícil de se localizar. Tentamos vários caminhos até encontramos o caminho certo e ao mesmo tempo em que foi divertido caminhar por cima da geleira, eu morri de medo! Dá pra escutar o som delas rachando e vimos alguns desmoronamentos. É indescritível a sensação de se sentir perdido em uma geleira! Pela primeira vez em 09 dias pedi pro André andar rápido (e olha que meu ritmo de caminhada já é bem acelerado). Uma experiência e tanto!


Finalmente chegamos a Gokyo – vivos – e no final da tarde.

Escolhemos uma hospedagem e nos acomodamos pra descansar e comer. Ficamos hospedados no Gokyo Guest House que é em frente ao lago, mas não recomendo tanto! Existe uma padaria sensacional que também é hospedagem (recomendo pelo menos a visita à padaria!)

DICA: na geleira as pessoas indicam a trilha correta empilhando pedras, justamente porque elas estão sempre se movendo. Tente seguir os totens de pedrinhas e pela parte de cima da geleira, assim é possível ver bastante à frente!

  • DIA 10:

Dia de descanso. Na verdade era um dia para subirmos um mirante da cidade, mas acordei mal do estômago e preferi ficar tomando chá no quentinho de frente pro lago. O André me acompanhou e passamos o dia todo relaxando, conversando, lendo e comendo (na padaria sensacional – Gokyo Bakery).

DICA: existe uma espécie de sopa de legumes com arroz e macarrão que é ótima para tomar à noite porque hidrata e alimenta. Se chama “Sherpa Stew”.


  • Dia 11:

Hora de completar o último pass! Ainda não estava muito bem do estômago, mas o André estava super ansioso para completar o trajeto e eu não queria gastar outro dia em Gokyo, então encarei o desafio e subi a montanha (que é muito alta) com bastante dificuldade!

A sensação no topo foi de missão cumprida, além de encantamento com a vista mais bonita de todos os passes! O legal foi que conhecemos bastante gente no caminho e acabamos nos encontrando todos em cima do Renjo La pass.

O resto desse dia foi muito difícil. Minha dor no estômago piorou muito e cheguei a ter, além de diarréia, calafrios! Insisti em caminhar mais porque queria chegar até Thame, mas quando os calafrios começaram tivemos que parar e acabamos dormindo na casa de uma família nepalesa que nos acolheu. Por sorte encontramos onde ficar, mas como não tinha aquecimento o André me fez um casulo bem quentinho com vários cobertores, saco de dormir e me vestiu todas as calças e casacos.

DICA: recomendo fazer a trilha sem a necessidade de estar acompanhada, mas ter alguém com quem contar é muito mais tranquilizante. Imagina como seria se eu estivesse sozinha nessa situação?

  • DIA 12:

Saímos bem cedo em direção à Namche Bazaar, mas acabamos parando em Thame e passando o resto do dia lá.

Como bom acompanhante que foi, o André resolveu compartilhar dos problemas de montanha e por causa de uma panqueca com manteiga de nak (uma vaca de montanha) acabou tendo infecção alimentar. Caminhamos por 1 hora e meia até a cidade mais próxima e fomos pra uma hospedagem mais confortável, com banheiro privado, onde nos ajudaram bastante. Inclusive dando remédios para ele.

Mais uma vez foi importante estarmos acompanhados, já que ele vomitou bastante no caminho e não tinha forças pra levar a mochila. Foi minha vez de retribuir os cuidados carregando a mochila e conseguindo os remédios.

Mais uma vez recomendo ir com alguém conhecido, essas situações são imprevisíveis e não raras. Os temperos e culinária são bem diferentes do que estamos acostumados.

O Valley View Lodge tinha quartos muito confortáveis e o melhor Dalbhat (arroz com lentilha – típico do Nepal) que comi em 1 mês e meio no país! Além disso a família foi super acolhedora e solícita.

DICA: durante a trilha, em paradas de almoço, recomendo a pedida de Dalbats já que são bem servidos e, em geral, acompanhados de legumes e alho! Uma refeição completa. Outro detalhe é que esse prato - e só ele - possui refil, sendo possível repetir sem acréscimos no valor!

Chegando à Namche Bazaar, resolvemos passar uma noite de despedida e aproveitamos para comemorar o fim da trilha passeando pela cidade - que é uma fofura- e comendo em um restaurante legal um cheeseburguer de Yak (o boi das montanhas)!

DETALHE: felicidade de ter wifi e poder comer um cheeseburguer com batatinhas + orgulho de termos concluído o trekking mais difícil do Nepal!

  • DIA 13:

Saímos em direção à Lukla, onde pegaríamos o voo no dia seguinte. Foram 18km de caminhada, mas em ritmo leve (por ser descida). Chegamos no final do dia exaustos e nos arrumamos para pegar o voo no dia seguinte logo cedo.

  • DIA 14:

Tão esperada chegada de volta à Catmandu! Durante o percurso sonhamos tanto com esse momento! Nunca pensamos que voltar para Catmandu seria tão bom. Fomos direto tomar um banho quentinho e bem demorado. Lavei o cabelo depois de 14 dias! Um alívio e tanto. Saímos para comer e encontrar outros amigos que estavam pela cidade!

Desafio terminado com sucesso e sensação de missão cumprida! Uma das maiores aventuras da minha vida e com certeza, inesquecível! Recomendo muito!

Para mais informações sobre custos e o que levar na mochila, acesse o post

Everest Basecamp Sem Guia: Custos, O que levar e Dicas.


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